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Dicas preciosas de apneia com o recordista Ricardo Bahia

Segurança

O aspecto mais importante a ser levado em conta para qualquer um que deseja evoluir na apneia é o total cumprimento das normas de segurança do esporte. O maior risco que enfrentamos é a síncope (desmaio) devido à redução dos níveis de oxigênio no sangue durante uma apneia prolongada. Deste modo, a regra número 1 é: só pratique apneia sob a supervisão de alguém que esteja apto a lhe socorrer no caso de uma síncope. Há diversos registros de morte de pessoas que estavam treinando ou brincando sozinhas.

Como nem sempre é fácil conseguir uma dupla para praticar, algumas pessoas acreditam que podem treinar sozinhas se a apneia for feita de maneira mais leve, “sem forçar”. Com dois argumentos, espero que você, leitor, desista desta ideia. O primeiro é prezando pela sua integridade física, já que o risco de síncope numa apneia de curta duração é menor, mas ainda existe. O segundo é que, se você pretende treinar realizando apneias de baixa intensidade, praticamente não terá resultados em termos de melhora do seu rendimento. Seria o mesmo que um corredor de maratona optasse por fazer os seus treinos caminhando. Que ganho ele teria? Para conseguirmos superar nossos limites, precisamos aprender a lidar com o anseio da vontade de respirar. Precisamos manter nosso corpo relaxado e acreditar que é possível aguentar um pouquinho mais, sabendo que nenhum mal irá lhe acontecer se você for adiante. E isso tudo só é possível quando temos confiança plena em nossa segurança e em nossas condições de saúde. Estas últimas deverão ser periodicamente avaliadas por um médico.

Relaxamento

Durante o mergulho, devemos utilizar somente aqueles músculos estritamente necessários ao movimento submerso. Todo restante do corpo deve estar plenamente relaxado. Cada músculo contraído se traduz em maior consumo de oxigênio e, consequentemente, menor rendimento em apneia. Da próxima vez que você for à academia de musculação, observe como a maioria das pessoas faz caras e bocas contraindo os músculos da face ao levantar pesos destinados para as pernas, por exemplo. Temos este reflexo natural de contrair outras partes do corpo durante atividades que, em teoria, não requerem isso. Precisamos praticar a consciência corporal para evitar este reflexo involuntário durante nossos mergulhos.

Uma técnica muito útil que pode ser utilizada antes e durante a imersão consiste em fechar os olhos e tomar consciência de cada parte do corpo tentando torná-la ainda mais relaxada. Executamos uma varredura que se inicia pela extremidade dos dedos dos pés e vai até a ponta da cabeça, verificando o estado de cada parte do corpo. Às vezes, achamos que já estamos completamente relaxados, mas alguns músculos de partes que raramente prestamos atenção podem estar contraídos e ganharemos alguns segundos (ou metros) se conseguirmos relaxá-los, por exemplo: panturrilhas, glúteos, esfíncter, ombros, pescoço, mandíbula/maxilar, bochechas, olhos, língua e muitos outros.

O relaxamento está totalmente associado a fatores psicológicos, bem como no controle dos seus pensamentos e estresse. Se você tem medo de tubarão, evite pensar neles enquanto estiver mergulhando. Ao invés disso, pense em sereias. Por fim, leve em conta que o relaxamento pleno só poderá ser atingido se não estivermos sentindo frio, um dos maiores inimigos da apneia. O uso de uma boa roupa de neoprene de espessura adequada à temperatura da água do seu ponto de mergulho é imprescindível.

Fonte: Revista Mergulho