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A história do mergulho

Engana-se profundamente quem pensa que a história do mergulho começa com as descobertas de Cousteau… As datas dos primeiros registros do homem tentando desvendar os segredos e mistérios das profundezas são muito, muito mais antigas do que a maioria pode imaginar e até mesmo acreditar.

Existem registros comprovados de que há 6500 anos o homem já criava acessórios para suas incursões ao mundo sub-aquático. Alexandre o Grande utilizava “mergulhadores” em suas ações militares.

Mas a evolução do mergulho aconteceu muito lentamente, em 1531 Gugliemo de Lorena projetou o primeiro sino de mergulho (que recebeu este nome pela aparência. Era um cone voltado com a sua abertura para baixo e com sua extremidade superior selada, armazenando ar no seu interior. Isso permitia que os mergulhadores em apnéia voltassem ao sino para renovar seu suprimento de ar).

A primeira roupa de mergulho” foi construída em 1715 por John Lethbridge e era de madeira. Isso mesmo, de madeira. Resistia até os 20m de profundidade.

Apenas depois de 100 anos, o mergulho recebeu seu primeiro grande salto tecnológico. No inicio do século XIX os irmãos Deane adaptaram um capacete utilizado em minerações para o mergulho. Surgia então a era do escafandro, que foi sendo cada vez mais adaptado e melhorado. Em 1839 Augustus Siebe criou o primeiro traje impermeável, utilizando um sistema de fixação do escafandro à roupa. Em poucos meses sua invenção estava sendo fabricada aos milhares, e permaneceu inalterada pelos próximos 100 anos. Algumas delas continuam em uso até hoje ! Pouco tempo depois foi a vez de Rouquayrol e Denayrouze, que desenvolveram sistemas de bombeamento de ar e o primeiro sistema autônomo de mergulho. Ambos utilizando máscaras tipo “full face”, no segundo e mais importante desenvolvimento da dupla, os mergulhadores podiam em mergulhos mais curtos e rasos utilizar o ar armazenado em pequenos cilindros. Os primeiros protótipos foram construídos em 1872. Em um museu francês ainda é possível encontrar uma amostra desse equipamento, e em funcionamento!

Nesta mesma época, os primeiros trabalhos científicos sobre descompressão começaram a surgir através das experiências de Paul Bert, que pode ser considerado o “pai da medicina hiperbárica.

Pronto. Com os novos equipamentos, compressores mais potentes e o estudo sobre medicina hiperbárica, o homem estava pronto para começar explorar o fundo do mar!

Nasce agora a “Era do Escafandro”. Após as invenções anteriores, o escafandro ficou anos e anos sem sofrer modificações mais significativas, mas com o aumento da exploração submarina, começaram a aparecer os primeiros casos de Doença Descompressiva, que era compreendida por poucas pessoas e cada vez os casos se tornavam mais e mais graves. Em 1906 foi criado um comitê especial pela Marinha Inglesa para investigar o problema, e tinha como líder o professor John Scott Haldane, que foi o responsável pelo famosos “Modelo Haldaniano”, fórmula de cálculos e tabelas de descompressão que são utilizados até hoje em alguns computadores de mergulho. Através de Haldane, foram desenvolvidos novos equipamentos e compressores, além de câmaras hiperbáricas e o conceito de descompressão em estágios.

Em 1916 estreou nos EUA o filme “20.000 Léguas Submarinas”. Foi o primeiro contato do grande público com o mundo submarino… É isso mesmo, a versão de Julio Verne de 1954 na verdade é a segunda versão do clássico !!! Quase quarenta anos antes de Julio Verne, os irmãos Williamson utilizaram escafandros para produzir a primeira versão, com cenas jamais vistas antes !!! Mas era preciso “libertar” os mergulhadores, e a espera não foi muito longa. Em 1943 dois franceses finalmente cortaram definitivamente os umbilicais que mantinham os mergulhadores ligados a superfície. Costumo dizer que foi exatamente nesse momento da história que Jacques Yves Cousteau e Emile Gagnan inventaram todos nós, mergulhadores da era do Aqualung, nome dado ao primeiro equipamento autônomo de mergulho.

Durante algum tempo Cousteau tentou por diversas formas reduzir a pressão de ar dos cilindros a uma pressão ambiente, onde pudéssemos respirar com facilidade. Foi então que o seu sogro, diretor da Air Liquide indicou que ele falasse com o engenheiro Emile Gagnan, que estava trabalhando em uma válvula redutora de pressão para ser utilizada em veículos movidos a gás. Então Cousteau realizou um mergulho histórico no Rio Marne, nos arredores de Paris, e assim, de forma simples, o Aqualung foi desenvolvido!!! Pouco tempo depois já estava sendo produzido em série e exportado para todo o mundo.

Mas a contribuição de Cousteau não termina por aí. Durante 50 anos ele encantou o mundo com suas imagens submarinas, com seus documentários e sua luta incondicional pela defesa do meio ambiente, com certeza, é a maior lenda do mergulho. Logo abaixo segue o trecho final de um de seus textos… “Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que alí jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguém. E esta pessoa, chamada de dupla, canga, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque além de poder salvar nossa vida, passa a compartilhar tudo o que vimos, tudo o que sentimos. E de duplas, passamos a ter equipes. E estas equipes passam a ser cada vez mais unidas. E assim entendemos que somos todos velhos amigos, mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior do que todos os outros que já encontramos. E isso faz de nós mais do que amigos, faz de nós mais do que irmãos. Faz de nós… MERGULHADORES”.

Fonte: http://www.immersioni.com.br/